A Procuradoria‑Geral da República pode decidir ainda esta semana sobre um acordo de colaboração premiada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A defesa do empresário retoma negociação com os procuradores e tem encontro marcado para amanhã; a discussão surge na esteira da rejeição anterior da Polícia Federal à proposta apresentada por Vorcaro.
Fontes ouvidas pela imprensa indicam que a PGR ofereceu nova oportunidade para que o executivo apresente informações, documentos e provas sobre o suposto megaesquema de corrupção. Apesar da abertura, há ceticismo entre procuradores: o comportamento do réu nas tratativas com a PF levou à avaliação de que ele pode não ter elementos novos e relevantes a oferecer. A prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, é apontada por interlocutores como fator que pode ter alterado a disposição do delator.
A Polícia Federal rejeitou a delação por entender que faltaram informações substanciais e por suspeitar de tentativa de proteção a pessoas próximas. Na mesma semana, o advogado José Luís Oliveira Lima deixou a defesa — movimentação que reforça incertezas sobre o material que será apresentado. Investigadores já obtiveram dados de sete aparelhos celulares que ajudaram a mapear o organograma do esquema e as práticas para mascarar contratos e operações de lavagem e desvio.
Se a colaboração vier fraca em provas ou sem recuperação relevante de recursos, a possibilidade de acordo torna‑se politicamente sensível: acende alerta sobre a coordenação entre PF e PGR e sobre a efetividade da investigação. Para avançar sem desgaste adicional, a PGR precisará de documentação concreta que permita aprofundar apurações e responsabilizar os principais envolvidos — caso contrário, a alternativa pode ser o endurecimento nas penas por insuficiência de nomes e provas.