A Procuradoria-Geral da República requereu ao Supremo Tribunal Federal a retirada do sigilo sobre mais uma frente da investigação do chamado caso Master. O pedido, apresentado na segunda-feira (14/9), abrange a apuração sobre a rede de pagamentos atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro — preso em Brasília — e ao extinto Banco Master. A medida foi enviada ao STF depois de um pedido do ministro Alexandre de Moraes na véspera e antes da sessão agendada para terça (15).

Na manifestação endereçada ao tribunal, a PGR argumenta que o levantamento do segredo é necessário para que os ministros tenham acesso integral aos elementos relevantes antes de deliberarem. "Como se trata de documento tido como relevante...", afirmou Chateabriand no documento, na defesa da transparência do material. Caberá ao ministro Edson Fachin decidir se o conteúdo será disponibilizado ao plenário e ao público.

O episódio acontece em meio à polêmica gerada por um relatório da Polícia Federal que apontou uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro. O documento, preparado por determinação do ministro André Mendonça no âmbito das apurações sobre o Master, registrou 52 mensagens trocadas entre o magistrado e o banqueiro entre dezembro de 2023 e novembro de 2025 e afirma que o ministro teria participado da análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, ligado a Viviane Barci, esposa de Moraes. A PGR já recomendou o arquivamento desse relatório, sustentando problemas procedimentais na sua elaboração.

A eventual liberação do conteúdo pode redefinir o ritmo do debate no STF e ampliar a pressão sobre as instituições envolvidas. Tornar públicos os processos e comunicações citados no inquérito permitirá ao plenário e à opinião pública avaliar o alcance das alegações, ao mesmo tempo em que expõe fragilidades procedimentais apontadas pela própria PGR. Para aliados e adversários, o desfecho poderá representar risco reputacional para os envolvidos e alterar a dinâmica política em torno da Corte, sem, porém, antecipar conclusões sobre a veracidade das acusações.

O julgamento marcado para esta terça-feira será um termômetro: a decisão de Fachin sobre o levantamento do sigilo e a forma de acesso ao material definirão os próximos passos da investigação e o grau de transparência exigido em um caso que mistura apuração criminal, procedimentos internos da PF e tensões políticas de alto impacto.