A Procuradoria-Geral da República manifestou-se nesta sexta-feira a favor da autorização para que Henrique Vorcaro — pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — deixe temporariamente o presídio para realizar consultas e exames com médico de sua confiança. O parecer, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, responde a pedido da defesa, que relata sintomas compatíveis com nova crise de diverticulite e que o investigado já foi atendido em uma UPA em Contagem (MG).
No documento, Gonet ressalta que os atendimentos efetuados até o momento não caracterizam situação de urgência imediata, mas entende haver ausência de impedimento jurídico para autorizar acompanhamento particular fora do sistema prisional. A PGR condiciona qualquer saída às regras de segurança e aos procedimentos a serem definidos pelas autoridades responsáveis pela custódia. O parecer não equivale a soltura: a decisão final caberá ao ministro relator André Mendonça ou à Presidência do STF.
Politicamente, o posicionamento da PGR tem efeito prático e simbólico. Do ponto de vista processual, pode influenciar a análise do Supremo sobre a necessidade temporária de deslocamento para exames e consultas. Do ponto de vista público, há risco de alimentar percepções de tratamento diferenciado para presos com acesso a recursos privados, uma questão sensível em casos envolvendo empresários de alta renda. Esse cenário pode ampliar desgaste para instituições se a autorização não vier acompanhada de transparência sobre critérios e limites.
A defesa também aguarda decisão do STF sobre pedido distinto: a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar humanitária em razão do estado de saúde. O parecer favorável da PGR diz respeito apenas ao atendimento médico particular; a alternativa à custódia permanece pendente. O próximo passo é a decisão administrativa do relator no Supremo, que definirá se e em que condições Vorcaro poderá ser acompanhado fora da unidade prisional.