A Procuradoria-Geral da República apresentou nesta sexta-feira (15/5) denúncia contra o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) por calúnia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. A peça, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, foi encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça, instância competente para processar autoridades com foro por prerrogativa de função.

Segundo a denúncia, vídeos publicados por Zema em 1º de março no Instagram e no X criticavam o STF e retrataram os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli como fantoches numa encenação vinculada ao chamado caso Master. A PGR sustenta que o conteúdo não se limitou à crítica institucional e que chegou a atribuir ao ministro conduta criminosa, ao sugerir favorecimento indevido e troca de vantagens.

A peça destaca a ampla repercussão das publicações — cerca de 487 mil visualizações no X e 2,8 milhões no Instagram até a apresentação da ação — e aponta para o crime de calúnia majorada. O Ministério Público Federal imputou agravantes pela condição de funcionário público do ofendido, pela idade da vítima e pela divulgação em redes sociais. A PGR pediu também fixação de indenização mínima equivalente a 100 salários-mínimos por danos morais.

Politicamente, a denúncia amplia o desgaste para Zema ao transformar em pauta judicial declarações que circulavam na pré-campanha. O caso tende a exigir respostas estratégicas da candidatura, podendo forçar mudança de tom e abrir espaço para críticas de adversários sobre o uso das redes. Em nota ao Correio, Zema afirmou que suas críticas e o humor político são legítimos e declarou que não pretende recuar.