A Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgou nesta sexta-feira (9/10) uma nota que desmente trecho da reportagem publicada pela revista Veja, que atribuía a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, um depoimento com implicações políticas. A PGR informou que rejeitou a proposta de colaboração apresentada pela defesa e que não houve qualquer depoimento oral do investigado.
No esclarecimento, o órgão afirma que todas as tratativas foram conduzidas exclusivamente com os advogados de Vorcaro, sem interlocução direta entre o empresário e procuradores. As propostas encaminhadas pela defesa foram recebidas na forma em que foram apresentadas — sem alterações prévias — e, após análise, foram rejeitadas; os motivos dessa decisão foram comunicados à defesa.
O posicionamento da PGR coloca em dúvida a natureza das informações veiculadas pela revista: embora confirme a existência de propostas de colaboração, a Procuradoria destaca que não houve acordo nem depoimento oral. A nota também não detalha o conteúdo dos documentos entregues pela defesa, deixando em aberto a possibilidade de existirem relatos escritos que não configuraram colaboração formal. O Partido dos Trabalhadores reagiu, classificando a publicação como peça eleitoral irresponsável e afirmando que não há registro do suposto depoimento na Polícia Federal.
Mais do que um desmentido técnico, a nota aparece em um momento sensível da disputa presidencial e acende alerta sobre apurações jornalísticas em véspera de pleito. A PGR reduz a força da versão que atribuía confissões a Vorcaro, mas a questão sobre os documentos apresentados pela defesa e sobre a responsabilidade da imprensa na verificação das fontes permanece — e tende a complicar a narrativa pública nos próximos dias.