A Procuradoria-Geral da República decidiu manter as negociações para um acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, mesmo após a Polícia Federal comunicar, na quarta-feira (20/5), que rejeitou a proposta de colaboração apresentada pelo banqueiro. A informação inicial foi divulgada por Gabriela Coelho, do R7, e confirmada pelo Correio junto a fontes ligadas ao caso.

Fonte da PF afirma que a proposta de Vorcaro foi considerada praticamente “vazia” e que o investigado não trouxe elementos além do que as diligências da Operação Compliance Zero já haviam revelado. Investigadores ouvidos pela reportagem dizem estar convencidos de que Vorcaro pode ter tentado proteger pessoas próximas ao não incluir nomes identificados no curso das apurações. A PF informou a decisão ao ministro relator André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, e à PGR.

A manutenção das tratativas pela PGR revela uma dissociação pragmática entre ministério público e polícia federal sobre o valor político e jurídico da colaboração. Por um lado, a PGR avalia dar uma segunda chance para que Vorcaro apresente material mais consistente; por outro, agentes da PF consideram que as provas já são suficientes para entender o funcionamento do esquema, o que reduz o braço de negociação do acusado. Esse descompasso acende alerta sobre coordenação institucional em investigações sensíveis e complica a narrativa pública do caso.

Na prática, o impasse pode ter dois efeitos: se a PGR aceitar nova proposta fraca, corre o risco de desgaste por sinalizar leniência; se a Procuradoria também rejeitar, Vorcaro tende a ficar isolado e a estratégia de colaboração perde espaço. Fontes apontam que a defesa deve tentar uma nova apresentação de provas, mas a movimentação de Vorcaro na prisão — saída da Papuda para sala de estado‑maior na superintendência e, em seguida, retorno a cela comum em 19/5 — foi interpretada pelos investigadores como um sinal de que a delação não avançava. O desfecho permanece em aberto, e os próximos passos terão impacto direto na condução da Operação Compliance Zero e na percepção sobre a eficácia das colaborações premiadas.