A Procuradoria-Geral da República pediu nesta segunda-feira (11/5) a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a PGR, as ações do acusado visavam intimidar ministros do Supremo Tribunal Federal e obstruir a tramitação das investigações relacionadas à tentativa de golpe que levou à condenação de Jair Bolsonaro.

No documento, a acusação sustenta que, após deixar o país, Eduardo atuou de forma coordenada para paralisar as persecuções penais em curso. O relatório liga essa atuação à pressão sobre autoridades judiciárias e ao movimento para impor sanções internacionais contra magistrados, com o objetivo de neutralizar medidas do Judiciário e ganhar espaço político fora do Brasil.

A PGR afirma ainda que o ex-parlamentar buscou interferência junto ao governo dos Estados Unidos, obtendo, segundo a acusação, autorização para medidas como a aplicação da chamada Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa. Em paralelo, episódios comerciais levaram à cobrança de tarifas que chegaram a 50% sobre produtos brasileiros, situação que, conforme o órgão, foi revertida em parte no fim de 2025 após negociações diplomáticas conduzidas pelo governo brasileiro.

Com o pedido de condenação, o Supremo estipulou prazo para a defesa se manifestar, e o caso passa a intensificar a pressão política sobre a família Bolsonaro. Além do efeito jurídico, a acusação expõe a tentativa de internacionalizar um conflito interno e amplia desgaste político, complicando a narrativa do grupo em ano eleitoral e levantando dúvidas sobre a capacidade de aliados de blindar o ex-ocupante do Planalto.