A Procuradoria-Geral da República encaminhou, nesta segunda-feira (6/7), pedido para que a Polícia Federal ouça o senador Flávio Bolsonaro no inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e o parecer foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A investigação decorre de uma postagem feita por Flávio em janeiro na rede social X, na qual o senador vinculou o presidente a crimes como tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro e citou uma alegada prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A PGR argumenta que a colheita do depoimento tem ‘especial relevância’ diante da possibilidade de retratação do investigado, medida que, segundo o órgão, poderia encerrar o processo sem aplicação de pena.

A posição da PGR entra em tensão com o relatório anterior da Polícia Federal, que havia concluído internamente pela materialidade do delito e afirmado que a publicação imputou falsamente a Lula a prática de crimes tipificados no ordenamento jurídico. Diante do pedido do Ministério Público, os autos deverão retornar à PF para a oitiva, e depois voltar à PGR para o relatório final.

Além do desfecho jurídico imediato, o movimento expõe consequências políticas: a possibilidade de retratação abre caminho para uma solução rápida que evitaria punição, o que pode ser lido por críticos como indício de leniência em casos envolvendo figuras públicas. Ao mesmo tempo, a divergência formal entre PF e PGR aumenta a pressão sobre o STF para definir a extensão da responsabilização por declarações públicas e o papel das instituições na proteção da reputação do chefe do Executivo.