A Procuradoria-Geral da República rejeitou, nesta quinta-feira (25), a proposta de acordo de delação premiada apresentada pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A decisão mantém o executivo no centro das investigações da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, e retira da tramitação uma possível fonte de provas e detalhes sobre a suposta articulação envolvendo o Banco Master.
Costa está preso desde 16 de abril, quando foi detido na quarta fase da operação. Segundo os autos, ele é suspeito de ter permitido operações sem lastro envolvendo o Banco Master e de ter recebido pelo menos seis imóveis do empresário Daniel Vorcaro, avaliados em R$ 146 milhões, em troca de facilidades que a PF apura. Dois dos imóveis estariam em Brasília, conforme a investigação.
A recusa da PGR ao pedido de colaboração de Costa segue a mesma posição adotada em 15 de junho para a proposta de delação do próprio Vorcaro, acompanhando a avaliação da Polícia Federal. No caso do ex-dono do Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça negou pedido de prisão domiciliar e autorizou sua transferência para o 19º Batalhão da Polícia Militar, o chamado Papudinha.
Além do aspecto criminal, o episódio traz implicações políticas e institucionais: trata-se de um novo elemento de desgaste para a governança do BRB e para a indicação do então governador Ibaneis Rocha, que nomeou Costa em 2019. A rejeição da colaboração limita a velocidade da investigação, mas também acende dúvidas sobre controles internos, risco reputacional e impacto na confiança do mercado financeiro em instituições públicas e públicas-administradas.