A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou nesta segunda-feira (15/6) a proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e comunicou a decisão ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada inicialmente pelo G1 e confirmada pelo Correio junto a fontes da Corte. Segundo o material-base, a PGR acompanhou o entendimento da Polícia Federal, que já havia considerado as informações apresentadas pelo banqueiro como pouco relevantes para a condução das apurações.

O alinhamento entre PF e PGR indica uma avaliação técnica similar sobre o conteúdo oferecido pelo potencial colaborador: não teria fornecido elementos novos ou suficientemente robustos para justificar a homologação de um acordo de colaboração premiada. Na prática, a decisão reduz o poder de barganha da defesa e sinaliza que a via da delação, neste caso, não será atalho eficaz para obter benefícios processuais ou atenuantes sem provas complementares.

Politicamente, o caso expõe uma fragilidade: propostas de delação sem aporte probatório consistente tendem a perder credibilidade e a consumir capital jurídico dos envolvidos. Para a investigação, a recusa pode atrasar o acesso a informações que só viriam com um acordo, mas também preserva o padrão probatório exigido pelas instituições responsáveis. No âmbito do STF, a comunicação ao relator formaliza o encerramento dessa tentativa específica de colaboração, sem, contudo, encerrar as investigações em curso.

A decisão da PGR não significa o fim de possíveis ações contra as partes investigadas, mas redefine o ritmo e a estratégia dos próximos passos. Cabe agora à defesa buscar outras vias de prova ou reapresentar proposta com elementos novos; à PGR e à PF, manter a linha de exigência de relevância e robustez. O caso segue sob acompanhamento no Supremo, com os relatos públicos feitos pelos veículos que apuraram a informação.