Conversas apreendidas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero mostram que o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, atuou para direcionar recursos da instituição ao Banco Master e, em paralelo, buscou vantagens pessoais junto ao empresário Daniel Vorcaro. As conversas, obtidas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pelo Correio junto a fontes da investigação, colocam em evidência uma relação que, se comprovada, mistura decisões de gestão pública com interesses privados.
Nos diálogos, Costa questiona o ex-banqueiro sobre a quantidade de caixa necessária para viabilizar repasses e pede um cronograma de pagamentos; Vorcaro responde que prepararia o documento. Em mensagens subsequentes, o ex-presidente do BRB pressiona por atenção a um acerto pessoal ligado a um contrato de moradia em São Paulo, gesto que os investigadores interpretam como cobrança de contrapartida. Segundo a apuração, o apoio operacional ao Master teria sido condicionado a uma propina estimada em até R$ 150 milhões, paga por meio de imóveis de luxo, com procura por unidades no condomínio Heritage, no Itaim Bibi.
As diligências da PF também identificaram um grupo de mensagens interno — batizado de 'Info BRB' pelos investigadores — usado para orientar a produção de documentos destinados a mascarar a real situação de carteiras de crédito adquiridas pelo banco. Em uma das trocas, Vorcaro corrige valores relativos a uma recompra ligada à empresa Tirreno, apontada como origem dos títulos problemáticos: os registros citam diferenças entre R$ 6,4 bilhões e R$ 7,2 bilhões. A investigação inclui ainda nomes como Alberto Félix e Ângelo Silva entre os interlocutores na montagem desses comprovantes.
Os documentos produzidos no esquema teriam sido registrados em cartório e apresentados ao Banco Central. Relatórios parciais da PF apontam manipulação no valor final dos extratos usados para justificar operações entre o BRB e o Master, o que eleva o caso do âmbito técnico para o político e institucional. Para um banco público, a combinação de decisões opacas e indícios de troca por bens privados mina a confiança e acende questionamentos sobre controles internos e a supervisão regulatória.
Além do prejuízo reputacional, a série de mensagens apreendidas amplia o potencial de repercussão política: autoridades locais e federais que lidaram com o BRB podem ser cobradas por explicações, enquanto a investigação seguirá buscando documentos e testemunhos para consolidar as suspeitas. A Polícia Federal prossegue com as diligências; fontes ouvidas pelo Correio indicam que as apurações ainda deverão mapear fluxos de recursos, responsabilidades e eventuais práticas criminosas.