O governo federal protocolou em regime de urgência um projeto de lei que prevê a redução da escala 6x1. O texto, anunciou o ministro do Trabalho Luiz Marinho, foi enviado com objetivo explícito de acelerar a tramitação — o PL terá prazo de 45 dias para ser apreciado na Câmara — e não de disputar espaço com a proposta de emenda constitucional (PEC) que já corre na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Marinho afirmou a jornalistas que o PL "busca justamente acelerar o processo" porque, em sua avaliação, a tramitação de um projeto é mais célere que a de uma PEC. Ao lado do titular da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, que qualificou a iniciativa como resposta ao desgaste dos trabalhadores, o ministro disse ainda que a PEC "seguirá seu curso normalmente" e que, em última instância, uma emenda constitucional será necessária para consolidar a mudança.

A opção do Executivo mistura resposta política imediata e engenharia legislativa. Ao priorizar o PL em regime de urgência, o governo tenta demonstrar atendimento a uma demanda social — pressão que vinha crescendo entre trabalhadores e centrais sindicais — mas corre o risco de gerar atritos no Congresso por sobreposição de instrumentos e disputa por agenda na CCJ e no plenário. A participação da Casa Civil e da Secretaria de Relações Institucionais no desenho do texto indica esforço de articulação, mas não elimina a necessidade de negociação com bancadas e líderes.

O envio do projeto ao Legislativo põe em evidência um dilema prático: acelerar a medida e obter efeitos mais rápidos, ou caminhar pelo rito constitucional mais robusto da PEC, que exige quórum qualificado e costuma demorar mais. Se o PL avançar, o Palácio do Planalto precisará transformar essa vitória legislativa em consenso duradouro — caso contrário, a promessa de mudança pode esbarrar em resistências políticas ou na necessidade de nova validação constitucional.