O Partido Liberal informou ter identificado uma suposta estrutura “complexa e sofisticada” de criação de perfis falsos nas redes sociais destinada a atacar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Em representação protocolada na sexta-feira (17), a sigla afirma ter mapeado mais de 50 páginas, cerca de 4,6 mil anúncios pagos e perto de 250 milhões de visualizações. A defesa do partido diz que o mecanismo usaria impulsionamentos pagos com recursos de origem obscura e a sequência de desativações e substituições de perfis dificultaria investigações.
Apesar do teor grave das acusações, o PL não apresentou até o momento provas públicas que corroborem as alegações ou que identifiquem responsáveis e financiadores. A narrativa do partido será levada ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kássio Nunes Marques, em reunião marcada para esta segunda-feira (20/7). A expectativa do PL, conforme sua equipe jurídica, é obter medidas do TSE para investigação e eventual responsabilização.
O episódio acende alerta sobre duas frentes políticas e institucionais. Politicamente, a denúncia projeta desgaste e tensiona a agenda eleitoral ao colocar o partido em posição de vítima e também em sede de ofensiva jurídica; institucionalmente, amplia a pressão sobre o TSE para reagir rápido sem, porém, antecipar conclusões diante da falta de documentação pública apresentada até aqui. Há risco de judicialização precoce e de uso político do tema se a corte for chamada a decidir com base em provas ainda não divulgadas.
A movimentação também testa a capacidade do sistema eleitoral e das plataformas digitais de responder a alegações de publicidade irregular. Para além da apuração técnica, o caso terá efeitos práticos na narrativa de campanha: se comprovado, amplia a ofensiva contra atores que financiem desinformação; se não houver evidência robusta, pode virar um elemento de desgaste para quem lança a acusação. Em ambos os cenários, a pressão sobre o TSE e o clamor por transparência devem crescer nas próximas semanas.