Em postagem nas redes sociais nesta segunda-feira (5/10), Flavio Bolsonaro passou a incorporar o desempenho eleitoral do PL no Congresso como argumento central da segunda etapa da campanha. O partido elegeu 121 deputados e 19 senadores, números que o candidato tem usado para sustentar a tese de que a nova composição legislativa cria terreno favorável à aprovação de sua agenda, caso seja eleito presidente.

No mesmo comunicado, Flavio vinculou o avanço do PL a prioridades como segurança jurídica e o combate ao chamado narcoterrorismo, e fez um aceno explícito a governadores e prefeitos ao defender atuação conjunta entre União, estados e municípios. A estratégia combina mensagem de força parlamentar com tentativa de ampliar apoio territorial e atrair lideranças de outras siglas fora da disputa presidencial.

O ganho de bancada, contudo, não se traduz automaticamente em maioria para aprovar projetos. Fontes da própria campanha reconhecem que siglas como União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB manterão peso decisivo nas votações. Na prática, o PL sai fortalecido nas negociações, com maior capacidade de barganha, mas dependerá de costuras e concessões para transformar capital parlamentar em resultados legislativos concretos.

A mobilização ocorre em paralelo às conversas do segundo turno: Flavio busca incorporar partidos e eleitores que ficaram fora da disputa, e o encontro com Tarcísio de Freitas em Brasília aparece como parte dessa ofensiva. O recado é claro politicamente — o PL quer capitalizar o resultado para ampliar influência —, mas o teste de governabilidade virá na mesa de negociações, onde o partido terá de converter bancada em alianças sem romper o discurso usado na campanha.