O PL anunciou uma série de atos batizados de 'Bloquinho do 22' para o próximo domingo (18/10), convocados pelo deputado Nikolas Ferreira em ao menos três regiões — Sudeste, Nordeste e Norte — e com listas de cidades em seis estados nordestinos. A iniciativa é a mais recente tentativa do bolsonarismo de montar cenas de rua que mostrem recuperação e energia eleitoral após o primeiro turno.
A convocação inclui Bahia, Sergipe, Maranhão, Pernambuco, Ceará e Piauí — onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 70,99% dos votos no primeiro turno — além de Minas Gerais, Espírito Santo e Amazonas. No Rio de Janeiro, Nikolas anunciou ainda o 'Bloquinho do Jair Bolsonaro', com concentração na Praça do Ó e caminhada até a residência do ex-presidente. Flávio Bolsonaro, por sua vez, manteve o foco em São Paulo ao divulgar o 'Blocão 22' na Avenida Paulista, ao lado de Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes.
O desenho das mobilizações envia sinais contraditórios: apostar em ruas no Nordeste, região em que o campo bolsonarista sofreu derrotas expressivas, é tentativa de reduzir o estrago político e reaparecer na narrativa; já a ausência de convocações para o Sul e o Centro-Oeste aponta limitação operacional ou cálculo estratégico sobre onde concentrar esforço. A articulação nas capitais também busca capitalizar imagem de unidade com aliados regionais e governistas.
Politicamente, a mobilização acende alerta para a oposição e complica a narrativa oficial do governo em relação ao desgaste do bolsonarismo: se os atos tiverem ampla presença, podem reescrever percepção de capacidade de mobilização; se fracassarem, reforçarão a ideia de perda de tração e aumentarão a pressão sobre lideranças do PL para ajustar estratégia e discurso rumo ao segundo turno.