O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a mudança de posicionamento da bancada do PL — agora favorável a votar a jornada 4x3 — é uma estratégia para expor o que classificou como uma medida de apelo populista do governo e da esquerda. A alteração foi confirmada após o líder da legenda, Sóstenes Cavalcante, anunciar que a bancada apresentará destaque de preferência para levar ao plenário a proposta que prevê quatro dias de trabalho e três de descanso.

Nikolas disse não ser contrário à redução da carga horária em si, mas criticou a condução do debate: afirmou que faltam estudos sobre os impactos econômicos e advertiu para o risco de aumento de custos e perda de empregos. O deputado também acusou o PT de transformar a pauta em bandeira eleitoral e afirmou que a tática do PL é deixar a proposta avançar para que os efeitos adversos fiquem visíveis antes das eleições.

A autora do projeto que ganhou apoio da bancada, Erika Hilton (PSOL-SP), defende que a mudança reflete movimento internacional por jornadas mais flexíveis e melhora da qualidade de vida. Em contraponto, Nikolas propõe um modelo baseado em limite semanal de 40 horas, com possibilidade de redistribuição mediante acordo entre empregador e empregado, e criticou a ausência de estudos de viabilidade na proposta da deputada.

A manobra do PL tem consequências políticas claras: além de colocar o partido no centro do debate, abre-se espaço para acusações de oportunismo e instrumentalização eleitoral, e pressiona o governo a justificar tecnicamente a proposta. A votação, que acompanha um debate amplo nas redes e no Congresso, tende a transformar a discussão trabalhista em teste público da capacidade do Executivo de sustentar medidas de impacto econômico antes de 2026.