O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, informou nesta sexta-feira que a decisão sobre uma eventual candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal dependerá do ex-presidente Jair Bolsonaro e deverá ser anunciada até domingo (2/8). A declaração foi dada após reunião entre dirigentes do partido e a ex-primeira-dama, que participará da convenção estadual do PL no DF neste fim de semana.

Valdemar também confirmou que Michelle não voltará à presidência do PL Mulher. A direção da estrutura voltada ao público feminino ficará sob responsabilidade de Ana Munhoz, assessora próxima da ex-primeira-dama, encarregada de manter o diálogo com os diretórios estaduais. A movimentação aponta para uma manutenção da influência pessoal de Michelle dentro do partido, mas sem retorno formal ao comando da sigla voltada às mulheres.

Do ponto de vista político, a transferência da decisão ao ex-presidente sinaliza que a estratégia eleitoral do PL continua centrada na figura de Bolsonaro, mesmo que como orientador das decisões do núcleo familiar. Isso reforça a centralidade do ex-presidente nas articulações de 2026 e limita, ao menos por ora, a construção de uma trajetória política independente para Michelle. Para o PL, o caminho escolhido pode facilitar a coordenação nacional, mas também concentra escolhas em torno de um nome só, potencialmente agravando disputas locais por vagas e alianças no DF.

A postergação do anúncio até domingo prolonga a incerteza e mantém em aberto cenários de negociação interna e acordos regionais. A decisão final terá impacto direto na montagem de chapas e na estratégia do partido na capital, onde uma eventual candidatura da ex-primeira-dama alteraria o mapa de alianças. Mais do que um comunicado, o desfecho servirá como termômetro sobre o grau de controle de Bolsonaro sobre o PL e sobre a capacidade da legenda de conciliar a liderança pessoal do ex-presidente com demandas eleitorais locais.