O PL intensificou em Brasília as conversas com o Republicanos para obter apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. Em encontro realizado em 8/7, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho, trocaram ideias com a direção do Republicanos e lideranças estaduais sobre um pacto de reciprocidade: apoio a candidaturas ao Planalto em troca de empenho do PL em disputas para governos e Senado em unidades como Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Roraima e Minas Gerais.
A proposta de “troca” visa destravar palanques antes das convenções, mas esbarra em realinhamentos locais e em alianças já consolidadas — caso de São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas está no mesmo campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, participou das tratativas, que reuniram nomes regionais como Allan Rick e Roberto Duarte (AC), além de representantes ligados a Márcio Bittar, Magno Malta e sua filha Maguinha. A negociação nacional, portanto, tem de conciliar realidades eleitorais distintas e aceitar exceções estaduais.
Paralelamente, o PL tenta conter uma crise interna gerada pela disputa no Ceará, que envolveu um atrito público entre Michelle Bolsonaro e a cúpula estadual sobre a candidatura da vereadora Priscila Costa. A questão obrigou a direção nacional a priorizar a unidade do projeto presidencial e a sugerir alternativas para acomodar interesses locais. Esse tipo de conflito, alimentado por intervenções de figuras com visibilidade, tende a transmitir imagem de desarranjo e elevar o custo político de acordos mais amplos.
Há ainda um elemento ideológico que pode tensionar a aliança: lideranças como Magno Malta defendem que a união passe por pautas duras do campo conservador — entre elas, apoio à anistia aos envolvidos nas manifestações de 8 de janeiro e ataques ao STF. Exigir alinhamento nessas frentes pode consolidar a base mais radical, mas também afastar partidos que buscam palanques mais amplos. Em suma, o acordo nacional com o Republicanos é plausível e estratégico, mas frágil: depende de concessões nos estados, de contenção de rachas internos e de limar demandas que, se intensificadas, complicam a narrativa oficial e reduzem margem de apoio até as convenções.