A mudança de postura do Partido Liberal, que passou a defender a adoção da escala 4x3 em lugar da jornada 6x1, foi classificada pela deputada Érika Hilton (PSol-SP) como uma manobra política destinada a ganhar tempo e obstruir a tramitação. Segundo a parlamentar, a guinada não se deve a uma mudança sincera de preocupação com as condições de trabalho, mas a uma tentativa de minimizar o desgaste do partido diante de pressão social e escândalos recentes.
Hilton afirma que a estratégia do PL é simplesmente complicar o calendário de votações: apresentar alternativas no momento em que há acordo maduro sobre a escala 5x2, com o objetivo de impedir que qualquer proposta avance. Na avaliação dela, insistir agora na 4x3 ameaça desmantelar o consenso e atrasar a votação em plenário, tornando incerto o desfecho da reforma da jornada na Câmara ainda neste ano.
Em reação à movimentação da oposição, a deputada intensificou interlocuções no Palácio do Planalto e avaliou que é necessário alinhamento entre governo e apoiadores para preservar o relatório pronto para dois turnos na Casa. O foco é garantir que o texto seja remetido ao Senado antes do fim do ano, apelando inclusive para a pressão do calendário eleitoral, que poderia favorecer a aprovação pela preocupação dos senadores com votos majoritários e reeleição.
O cenário, porém, permanece tenso: o Senado é visto como incerto e qualquer alteração de lastro no acordo pode abrir espaço para obstrução e novos recuos. Para aliados do projeto, a chave agora é neutralizar movimentos que tenham motivação político-eleitoral e manter a coerência entre a base, sob o risco de perder um momento político oportuno para aprovar mudanças que afetarão a rotina de trabalhadores e empresas.