O Partido Liberal formalizou neste sábado a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em convenção realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo. O evento começou após discurso do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, e reuniu lideranças do campo da direita. A apresentação incluiu manifestações públicas de familiares e vídeos de aliados, numa aposta em forte componente personalista.

Entre os destaques da convenção esteve a participação do presidente argentino Javier Milei, que discursou por cerca de trinta minutos criticando o que chamou de "ameaças do socialismo". Houve problemas de sincronização da tradução exibida no telão, o que prejudicou parte do entendimento do público. Outro momento controverso foi a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem de Jair Bolsonaro — em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado — acompanhado de aviso de que não teve origem do ex-presidente.

A estratégia do PL sinaliza tentativa de manter a ligação com a base bolsonarista e reforçar o continuísmo do legado familiar. Ao mesmo tempo, o recurso à inteligência artificial para contornar restrições judiciais pode ampliar desgaste legal e reputacional do partido, além de levantar dúvidas sobre limites eleitorais e responsabilidade institucional. Politicamente, a oficialização reforça a polarização e coloca no radar a capacidade do PL de transformar simbolismo em projeto eleitoral viável para 2026, enquanto testa reações de aliados, do Judiciário e do eleitorado.