A líder do PSol na Câmara, Talíria Petrone (PSol-RJ), informou nesta segunda-feira (16/6) que a falta de consenso entre as bancadas adiou o avanço do chamado PL da Misoginia, empurrando a votação para a primeira semana de julho. Em entrevista coletiva, a parlamentar vinculou o debate aos episódios recentes de violência e ataques dirigidos a mulheres, inclusive no ambiente digital, e defendeu a necessidade de aprimorar mecanismos contra o discurso de ódio e a violência de gênero.

A relatora do grupo de trabalho, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), apresentou uma nova versão do texto na tentativa de costurar um acordo. Talíria reconheceu que a redação não atende integralmente às posições de sua bancada, mas avaliou que representava um avanço possível diante das divergências. A proposta buscou tornar mais objetiva a definição das condutas que configurariam atos de misoginia, atendendo a demandas da oposição por maior clareza.

O impasse reside sobretudo nas controvérsias em torno da liberdade religiosa e da tipificação penal prevista no projeto. Para superar resistências, a redação passou a remeter expressamente às garantias já previstas na Constituição Federal, numa tentativa de conciliar proteção às mulheres e salvaguarda de direitos fundamentais. Ainda assim, as diferenças não foram suficientes para formar um bloco de apoio amplo e o acordo foi postergado.

Politicamente, o adiamento expõe a dificuldade de transformar sensibilidade pública sobre violência de gênero em texto legislativo capaz de reunir bancos diversos. A tentativa de acomodar posições para gerar consenso pode reduzir a eficácia das medidas — ou prolongar a tramitação até que surja um novo ponto de equilíbrio. O recuo para julho coloca pressão sobre lideranças e relatoria: será preciso decidir entre afinar o projeto para garantir aprovação ou manter cláusulas mais abrangentes e correr o risco de novo impasse.