O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou na noite de terça-feira (26/5) que a bancada do partido decidiu apoiar a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da chamada escala 6x1. O comunicado inclui a intenção de apresentar um destaque de preferência para inserir a escala 4x3 — quatro dias de trabalho seguidos por três de descanso — como alternativa a ser votada em plenário. A mudança formaliza um reposicionamento da legenda no debate sobre redução da jornada laboral.

No mérito legislativo, a PEC relatada pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) prevê uma redução gradual da carga semanal: das atuais 44 horas para 42 horas em até 60 dias após promulgação e, em seguida, para 40 horas no prazo de até 12 meses. Apesar da sinalização de apoio do PL, a tramitação sofreu novo atraso na comissão especial depois que o deputado Maurício Marcon (PL-RS) pediu vista do texto. Marcon justificou a solicitação alegando risco de a proposta impor restrições a trabalhadores que queiram cumprir jornadas superiores a oito horas diárias.

A decisão do PL tem dupla leitura política. Ao aderir à PEC e propor a 4x3, a legenda procura marcar posição em defesa da qualidade de vida do trabalhador — tema com apelo junto à opinião pública — e ao mesmo tempo testar resposta de aliados e adversários. Sóstenes aproveitou o anúncio para provocar partidos de esquerda e acusar o governo de oportunismo em ano eleitoral, reforçando a ideia de que a movimentação tem componente de cálculo político. Para o Executivo, a nova postura do partido complica a narrativa sobre o equilíbrio entre proteção social e custos para o setor produtivo.

Do ponto de vista econômico e social, o debate permanece dividido. Movimentos sindicais e parlamentares favoráveis veem a mudança como passo relevante para o convívio familiar e a qualidade de vida; setor empresarial e parte da base governista alertam para aumento de custos, pressão inflacionária e risco de perda de vagas de emprego. Com a proposta ainda em análise e a comissão especial sem data prevista para retomada imediata, o quadro tende a gerar pressão convergente de centrais sindicais, empresários e dos próprios partidos sobre como acomodar proteção trabalhista sem provocar efeitos adversos no mercado.