O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou ao Correio que o partido não pretende nomear uma substituta para Michelle Bolsonaro na coordenação nacional do PL Mulher. Segundo Valdemar, a legenda optou por reformular a estrutura do movimento feminino, fragmentando-o por regiões e distribuindo o comando entre lideranças estaduais — uma mudança que impede a ascensão imediata da vice-presidente nacional, a deputada Priscila Costa (PL-CE).
Michelle deixou a presidência do PL Mulher na noite de terça-feira (30/6), após reunião com Valdemar. A saída ocorre em meio a um desgaste interno relacionado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O embate, conforme relato da direção, teve origem em divergências sobre a estratégia para o Ceará: enquanto Flávio e integrantes da cúpula defendiam apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado, Michelle se posicionou contra a articulação, aprofundando a divisão.
A escolha por descentralizar o PL Mulher tem dupla leitura: busca acomodar lideranças regionais e reduzir um foco de tensão nacional, mas também sinaliza incapacidade do partido de repor o capital político concentrado em Michelle. Para a base feminina e para eleitoras sensíveis à imagem da ex-primeira-dama, a fragmentação pode significar perda de coesão, coordenação e visibilidade em temas sociais e eleitorais.
Politicamente, a decisão acende alerta sobre o grau de coesão interna no PL às vésperas de ciclos eleitorais mais relevantes. Fragmentar comando e não indicar uma sucessora clara reduz a centralidade do movimento — o que pode aliviar um conflito imediato, mas amplia desgaste na narrativa de unidade do partido. Resta ao comando nacional administrar as consequências: conter dissensos regionais, recuperar a interlocução com setores femininos e evitar que a disputa local reverta em custo político mais amplo para a legenda.