O Partido Liberal (PL) formalizou, na tarde de sábado, a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em convenção realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo. O evento, que abriu os portões pela manhã e começou por volta do meio‑dia com discurso do presidente nacional Valdemar da Costa Neto, reuniu lideranças do campo da direita e serviu para consolidar a costura política do partido para 2026.
Ao longo da convenção, manifestações de apoio foram reproduzidas em discurso direto e em vídeos: a cirurgiã‑dentista Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, falou ao público; trechos gravados pelos irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro e por Michelle Bolsonaro também foram exibidos. No encerramento, Flávio afirmou que, como filho mais velho, buscará dar continuidade ao legado do pai — referência explícita ao ex‑presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
A presença do presidente argentino Javier Milei, que fez um discurso de cerca de 30 minutos criticando o que chamou de “ameaças do socialismo”, reforçou a sintonia com forças de direita no exterior. Problemas de sincronização entre a tradução no telão e o discurso em espanhol prejudicaram parte da comunicação com o público. Outro momento que chamou atenção foi a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem de Jair Bolsonaro — o próprio material informava, logo no início, que não havia sido gravado pelo ex‑presidente, numa tentativa evidente de contornar as restrições judiciais que impedem suas manifestações públicas.
Do ponto de vista político e institucional, a convenção deixa sinais contraditórios: por um lado, o PL busca mobilizar a base em torno da continuidade do Bolsonaroismo; por outro, a aposta em recursos como vídeos em IA e a centralidade do discurso familiar podem ampliar questionamentos jurídicos e de imagem. A estratégia tem potencial de energizar apoiadores, mas também de dificultar aproximações com eleitores de centro e potenciais aliados preocupados com riscos legais e com o custo político de associar a campanha a episódios controversos. Nos próximos meses, caberá ao PL traduzir a formalização da candidatura em estratégia eleitoral viável, num cenário em que o uso de tecnologia e as amarras judiciais prometem ser peças relevantes da disputa.