A convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo neste sábado (25/7), oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O lançamento ocorreu sem a apresentação de candidato a vice nem novas alianças nacionais, e teve como marca a forte presença simbólica do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja ausência física foi compensada pela exibição de um vídeo produzido com inteligência artificial.
O evento combinou críticas contundentes ao governo Lula, ênfase em pautas de segurança pública e apoio de lideranças internacionais. Entre os convidados, o presidente argentino Javier Milei e o primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subiram ao palco para manifestar apoio e tecer críticas ao que classificaram como políticas de esquerda. A convenção também trouxe ataques ao Judiciário e referências aos presos por atos de 8 de janeiro de 2023, e Flávio usou o espaço para homenagear o pai e reafirmar o peso político de seu sobrenome na corrida presidencial.
Do ponto de vista político, o evento sinaliza uma estratégia clara: concentrar mobilização na marca Bolsonaro e no ressentimento contra as instituições que adversários do clã identificam como hostis. Essa personalização pode manter a base energizada, mas também expõe limitações estratégicas. A ausência de um vice definido e a falta de ampliações de alianças nacionais deixam o PL vulnerável na construção de uma coalizão competitiva para 2026, dificultando a atração de eleitores moderados e potenciais parceiros que exigem pacto programático e governabilidade.
A utilização de tecnologia para simular a presença de Jair Bolsonaro, além de simbólica, suscita questões éticas e políticas: reforça a narrativa de perseguição usada pelo grupo e pode aprofundar o confronto com o Judiciário, já alvo de críticas durante o evento. Internacionalmente, o apoio de figuras como Milei e Netanyahu indica alinhamento ideológico, mas também traduz um viés que tende a polarizar o debate e a limitar o apelo a eleitores centristas. Para o PL, o próximo passo exige rapidez: transformar a energia do lançamento em uma estratégia de alianças e um projeto de governo capaz de ampliar o alcance eleitoral e reduzir os custos políticos de uma campanha centrada na contestação institucional.