Brasília, DF — O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (20/8) que o partido pediu ao Poder Judiciário a substituição da pessoa responsável pelos cuidados de Jair Bolsonaro. Segundo o dirigente, a mudança tem objetivo prático: liberar Michelle Bolsonaro para se dedicar à campanha ao Senado pelo Distrito Federal e acompanhar compromissos vinculados à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Valdemar justificou o pedido argumentando que Michelle possui forte apelo junto ao eleitorado e que sua presença em atos selecionados pode favorecer a exposição do candidato. O dirigente também afirmou que, após a reaproximação entre os dois, Flávio teria registrado alta de dois a três pontos nas intenções de voto. A proposta, segundo o PL, não prevê afastamento total: a ideia é concentrar a participação dela em eventos de maior relevância.

O movimento do partido traduz uma aposta clara na transferência de capital político pessoal para reforçar uma candidatura presidencial. Ao mesmo tempo, coloca na agenda pública a questão institucional: solicitar alterações na rotina de cuidados de uma figura pública por razões eleitorais tende a gerar questionamentos sobre até que ponto decisões administrativas ou judiciais devem acomodar necessidades de campanha.

Mesmo se autorizada, a medida tem limites práticos e políticos. Presença pontual em comícios estratégicos pode ampliar visibilidade, mas não garante crescimento automático nas pesquisas. Para o PL é uma resposta tática; para adversários e analistas, uma oportunidade para criticar prioridades e estratégias. A decisão final ficará a cargo do Judiciário, que deverá avaliar o pedido com base em critérios técnicos e legais.