Os cinco deputados federais mais votados nas eleições deste ano concentraram-se em dois partidos adversários: o PL emplacou três nomes — Nikolas Ferreira (MG), Lucas Pavanato (SP) e André Fernandes (CE) — e o PSOL confirmou duas posições entre os líderes, com Érika Hilton e Sâmia Bomfim (SP). Nikolas foi o candidato com maior votação: 3.119.318 votos, o que corresponde a 24,7% dos eleitores que compareceram às urnas em Minas Gerais. Lucas Pavanato obteve 3.038.438 sufrágios, equivalente a 11,5% dos votos em São Paulo, enquanto Érika alcançou 1.596.472 votos (5,9% no estado).

O desempenho de Nikolas vem após trajetória rápida: eleito vereador de Belo Horizonte em 2020 pelo PRTB, ingressou no PL e, em 2022, já havia conseguido 1.492.047 votos para a Câmara. No primeiro mandato federal atuou em posições de liderança da bancada e em comissões, atualmente ocupando a 3ª vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça. Lucas Pavanato, 28 anos, saiu da vereança em São Paulo — onde obteve 161 mil votos em 2024 — para uma votação milionária na disputa federal. Érika Hilton, 33 anos e com histórico como vereadora de São Paulo, ampliou seu eleitorado desde 2022 e assume papel de protagonismo entre os deputados de esquerda, sendo presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

O quadro revela dois fenômenos: a capacidade do PL de concentrar votos pessoais expressivos em grandes estados e a consolidação, em São Paulo, de candidaturas de perfil identitário e de militância que atraem eleitorado significativo para o PSOL. Essa concentração tem efeitos práticos: reforça o poder de barganha desses nomes dentro das bancadas, muda a distribuição de força em comissões e influencia negociações partidárias no Congresso.

Ainda entre os mais votados figuram André Fernandes (PL-CE) com 684.732 votos e Sâmia Bomfim (PSOL-SP) com 583.107 votos, além de outros nomes que ultrapassaram a casa das centenas de milhares de votos. O resultado é uma fotografia do momento político — marcada por votação personalizada e polarização — e deve orientar estratégias internas dos partidos e alianças à medida que o país avança para as próximas disputas eleitorais.