O PL, presidido por Valdemar Costa Neto, passou a cobrar publicamente garantias do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro após o vazamento de trocas de mensagens, áudios e encontros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em reuniões reservadas, parlamentares expressaram apreensão sobre até que ponto a proximidade entre os dois pode comprometer a imagem do partido e a competitividade da pré-candidatura à Presidência.
Entre os trechos tornados públicos está uma mensagem de 16 de novembro de 2025 em que Flávio escreve a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre... Só preciso que me dê uma luz”. A sequência de contatos ocorreu pouco antes da prisão do ex-banqueiro no aeroporto de Guarulhos e de movimentos jurídicos registrados na 10ª Vara Federal. Reportagens do The Intercept Brasil, G1 e O Globo também revelaram convites e agendas que conectam Vorcaro a viagens e tentativas de articulação internacional envolvendo, segundo as apurações, nomes do entorno do clã Bolsonaro.
Na reunião emergencial do PL, segundo deputados, Flávio teria assegurado que não haveria novos vazamentos e que as conversas expostas correspondem ao que existe entre ele e Vorcaro. Ainda assim, a legenda está dividida: uma ala mantém apoio incondicional, outra prefere cautela e pretende avaliar o impacto nas próximas pesquisas antes de consolidar um posicionamento. O episódio forçou a convocação de encontros para que o senador dê garantias públicas sobre sua capacidade de se manter competitivo.
Além do aspecto pessoal, há preocupação com a dimensão institucional e eleitoral do caso: o envolvimento na produção do longa 'Dark Horse', as suspeitas de irregularidades operacionais e relatos sobre dificuldades de pagamento à equipe ampliam o potencial de desgaste. Para o PL, a leitura é clara — sem uma resposta convincente e um ritmo de reação que contenha o dano, a controvérsia pode minar a narrativa de campanha e complicar a montagem de alianças em 2026.