A liderança do Partido Liberal (PL) na Câmara reafirmou nesta quarta-feira o apoio ao senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, considerando "claras, coerentes e objetivas" as explicações sobre a busca de patrocínio privado para um projeto de caráter privado. A menção ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi central na narrativa defendida pela bancada.

Em postagem pública, o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), rejeitou tentativas de transformar a iniciativa privada em narrativa política e afirmou confiança na conduta do senador. A nota oficial garantiu unidade do partido e a "lisura de seus atos", posicionamento que tem como objetivo neutralizar acusações e reafirmar disciplina interna diante da repercussão.

Ao mesmo tempo, a bancada encerrou o comunicado pedindo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso do Banco Master. O gesto revela uma estratégia dupla: proteger o quadro partidário ao mesmo tempo que busca abrir um flanco institucional para deslocar o foco do candidato. A articulação pode atenuar críticas imediatas, mas também expõe contradição que adversários e setores independentes devem explorar.

Politicamente, o movimento transmite duas mensagens simultâneas — defesa do aliado e disposição para investigar — e acende alerta sobre a gestão do dano político às vésperas do ciclo eleitoral. A solicitação de CPI pode reforçar narrativa de responsabilidade institucional do PL, mas não elimina o risco de desgaste eleitoral e de questionamentos sobre a relação entre atores privados e pré-candidatos.