A convenção estadual do PL em Santa Catarina confirmou nomes e exibiu, em diferentes momentos, um vídeo com imagens e a voz de Jair Bolsonaro. No evento foram oficializadas as candidaturas de Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni ao Senado e reafirmada a postulação de Jorginho Mello ao governo do Estado. O episódio ganhou relevo político quando o senador Flávio Bolsonaro fez, durante o ato, um pedido direto de apoio eleitoral por parte dos presentes.

O pedido explícito de votos ocorre em um período em que a lei eleitoral brasileira tolera atos de pré‑campanha, mas proíbe solicitações diretas. O artigo 36‑A da Lei nº 9.504/1997 e o entendimento consolidado do TSE vedam expressões que configurem pedido de voto antes do início da propaganda oficial. A postura do filho 01, ao convocar eleitores a votar nele e em aliados, coloca o PL diante de um possível conflito jurídico que pode resultar em representações ou questionamentos formais.

Além do teor do discurso, o material exibido suscitou dúvidas técnicas: não ficou claro se a voz apresentada era original ou gerada por inteligência artificial. A incerteza sobre o uso de IA surge após manifestações do ministro Alexandre de Moraes sobre vídeos artificiais em convenções anteriores. A campanha de Flávio foi procurada e não respondeu até o fechamento da reportagem, segundo apuração.

Mais do que uma questão técnica ou processual, o caso tem impacto político: a exibição de imagens do ex‑presidente e o pedido de voto direto reforçam a tensão em torno dos limites da pré‑campanha e do uso de ferramentas digitais. Se formalmente enquadradas, essas práticas podem complicar a narrativa do PL e exigir resposta do TSE sobre fiscalização e consequências eleitorais.