A convenção regional do PL, prevista para este fim de semana em Brasília, ganhou caráter simbólico: além de formalizar candidaturas locais, o partido quer usar o palco para projetar uma mensagem de unidade entre alas que vinham em conflito nas últimas semanas. A presença conjunta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro ainda não foi confirmada oficialmente, mas dirigentes do PL dizem nos bastidores que atuam para que os dois compareçam e ofereçam uma imagem de reaproximação.

O movimento tem duas dimensões políticas claras. Primeiro, tem o objetivo imediato de reduzir o desgaste público do núcleo bolsonarista: uma aparição lado a lado ajudaria a conter especulações sobre um racha familiar e partidário que se tornou visível na pré-campanha. Segundo, ele ganha peso institucional se for verdade que o partido pretende oficializar a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal — nesse cenário, a foto conjunta vale tanto como gesto de coesão quanto como reforço eleitoral local.

Líderes nacionais e locais do PL aparecem mobilizados. O presidente do partido afirmou acreditar na participação da ex-primeira-dama, e o líder da bancada no Congresso também trabalha pela presença, tratando-a como natural dentro da articulação. Há, porém, limites evidentes: pedidos de desculpas públicos do senador e vídeos de apoio enviados pela ex-primeira-dama a eventos nacionais mostram tentativas de reaproximação, mas não eliminam as causas do desgaste — divergências sobre estratégia e decisões políticas permaneceram explícitas e exigem mais do que um ato simbólico para se dissipar.

Do ponto de vista político, a convenção funciona como um teste de controle de danos e capacidade de comando da direção do PL. Se o encontro for bem-sucedido, terá efeito prático imediato na narrativa do partido, diminuindo ruídos e fortalecendo candidaturas locais. Se for percebido como encenação ou se as ausências e sinais contraditórios persistirem, o gesto pode reforçar a percepção de fragilidade interna, elevando o custo político de futuros choques no bloco bolsonarista e complicando a estratégia eleitoral do partido nos próximos meses.