A convenção do PL realizada no Mercado Pago Hall, em São Paulo, teve como ponto central a exibição de um avatar gerado por inteligência artificial que reproduziu imagem e voz de Jair Bolsonaro e endossou oficialmente a candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro. O vídeo apresentado ao público trazia aviso sobre a natureza sintética do material, em tentativa explícita de transparência.
No conteúdo exibido, a representação digital adotou tom de denúncia contra a restrição à comunicação imposta pela prisão domiciliar e conclamou apoiadores a acolherem Flávio como continuidade do projeto político do pai. Politicamente, a peça serviu para preservar a presença simbólica do ex-presidente numa convenção em que sua participação real é barrada por medidas cautelares.
A manobra ocorre num momento de confronto direto com o Supremo: uma semana antes, o ministro Alexandre de Moraes ampliou limitações à divulgação de manifestos políticos pelo ex-presidente, independentemente do meio. O episódio de 11 de julho — quando Flávio leu uma carta supostamente redigida por Jair — já havia motivado reação da Corte. A exibição do avatar agora passa a integrar avaliação da Justiça Eleitoral sobre possível irregularidade.
Especialistas ouvidos apontam que o uso de IA não é, por si só, vedado pela legislação eleitoral, mas a legalidade dependerá do contexto, da clareza sobre a origem do conteúdo e do caráter publicitário do material. Na esfera política, a aposta do PL pode energizar a base, mas também institucionaliza a estratégia de confronto com decisões judiciais e aumenta o risco de sanções que complicariam a campanha e a narrativa pública do partido.