A aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, por 23 votos a 4 em 2 de setembro, virou alvo político do PT. O partido passou a explorar publicamente os votos contrários — de Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO) — como elemento para desgastar integrantes da base alinhados ao presidenciável Flávio Bolsonaro.

O relator Omar Aziz (PSD-AM) teve seu relatório aprovado com ampla maioria, mas, como ressaltou Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, os quatro senadores fizeram questão de registrar formalmente a discordância. Para a legenda, o gesto não é neutro: além de expor uma minoria dentro da comissão, serve para contradizer o discurso que vê no Congresso um ‘inimigo do povo’ e desloca a responsabilidade pela resistência diretamente ao entorno de Flávio.

Entre os nomes citados na ofensiva petista, Rogério Marinho já foi indicado para coordenar a campanha do senador do PL e Tereza Cristina chegou a ser ventilada para compor a chapa. O PT busca, portanto, transformar um resultado técnico — um placar na CCJ — em arma retórica para complicar a narrativa oficial e questionar a coesão da base do presidenciável.

O episódio tende a acender alerta para a campanha de Flávio Bolsonaro, que terá de responder à associação entre seus aliados e votos contrários a uma medida popularmente vendida como favorável aos trabalhadores. Politicamente, a estratégia petista aponta para tentativa de explorar fissuras e aumentar o custo político de opositores que optaram pelo registro formal do voto.