O governo federal reagiu, na madrugada desta quinta-feira (16/7), à decisão dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota, o Palácio do Planalto classificou a medida como unilateral, ilegal e arbitrária, e anunciou que iniciará imediatamente os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso e levará a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

A resposta oficial busca sustentar argumentos técnicos: o governo citou dados dos EUA que apontam superavit norte-americano de US$ 424,5 bilhões no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos, e lembrou que, em 2025, 76% das importações a partir dos EUA entraram sem imposto de importação, com alíquota média aplicada de apenas 3,1%. O Palácio também rechaçou as conclusões do USTR baseadas na Seção 301 — e rebateu acusações relacionadas ao Pix, à regulação de plataformas digitais e à política ambiental como infundadas.

Além da via jurídica, o governo promete medidas práticas para proteger a cadeia produtiva e preservar empregos. Entre as ações anunciadas estão reforço de instrumentos do Plano Brasil Soberano e aceleração da diversificação de mercados, com referências a acordos do Mercosul com União Europeia, EFTA e Singapura. O Executivo destacou ainda que nas audiências do USTR 63 das 78 manifestações se disseram contrárias às tarifas.

A nota do Planalto incluiu crítica direta à família Bolsonaro, que, segundo o governo, teria colaborado com investigações americanas — um ataque político que amplia o custo simbólico da disputa. Do ponto de vista prático, a ofensiva americana complica relações com um parceiro comercial importante, exige respostas calibradas para evitar retaliações que prejudiquem exportadores e coloca o governo sob pressão para transformar retórica em resultados concretos. A defesa da soberania anunciada terá que ser medida pelo impacto real sobre empregos, cadeias produtivas e estabilidade das exportações.