O Palácio do Planalto divulgou nota oficial nesta terça-feira (7) para repudiar a participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública nos Estados Unidos que debateu as novas tarifas impostas ao Brasil. Segundo a Secretaria de Comunicação Social, Flávio teria “legitimado os resultados de uma investigação injusta” ao não rebater as alegações norte-americanas e ao sugerir um adiamento da medida. Ao todo, 78 entidades e pessoas se inscreveram para falar; 63 se posicionaram contra as tarifas e 15 a favor.
Na audiência, o senador usou cinco minutos para pedir que os EUA não imponham as taxas e advertiu que a ação poderia favorecer a reeleição do presidente Lula. “Peço respeitosamente apenas uma coisa: não imponham tarifas ao Brasil. Preservem o sucesso dessa reconciliação e permitam-nos negociá-la”, disse Flávio, segundo registro da sessão. Ele também defendeu o Pix como instrumento de inclusão financeira, afirmando que o sistema ampliou o acesso à economia formal para milhões de brasileiros.
Peço respeitosamente apenas uma coisa: não imponham tarifas ao Brasil. Preservem o sucesso dessa reconciliação e permitam-nos negociá-la
O governo reagiu com críticas diretas: além de acusar o parlamentar de assumir postura alinhada aos interesses externos, a nota afirma que Flávio tenta se apropriar do Pix em movimento eleitoreiro e que, ao propor subordinar o sistema aos interesses norte-americanos, incorre em contradição com posturas anteriores. O Planalto também rebateu as menções do senador a escândalos de corrupção, ressaltando que algumas das ligações por ele citadas não constaram na audiência. A nota encerra com uma advertência firme: “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria.”
O episódio tem implicações políticas claras. Ao posicionar-se junto a atores externos em debate que afeta soberania econômica, Flávio expõe sua pré-campanha a críticas por nacionalistas e a setores sensíveis ao tema da defesa do país, o que pode ampliar desgaste e complicar a narrativa da oposição. Para o governo, a reação permite explorar o argumento de patriotismo e reforçar a separação entre oposição ao Executivo e atitudes que, segundo a nota, colocam o interesse estrangeiro acima do interesse nacional. A leitura pública do evento dependerá agora da repercussão entre eleitores e atores econômicos, mas o confronto verbal já altera o mapa de riscos políticos na corrida para 2026.