Integrantes do Planalto avaliam que os Estados Unidos recorreram a dados antigos e reclamações históricas de setores empresariais para fundamentar a investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial americana. No diagnóstico interno, a estratégia americana teria por objetivo justificar medidas tarifárias e aumentar o poder de barganha de Washington nas negociações bilaterais.
Fontes ouvidas pela redação dizem que o relatório apresentado pelos norte-americanos não traz, em grande parte, elementos novos capazes de sustentar uma escalada imediata contra o comércio brasileiro. Nos bastidores, auxiliares apontam a ofensiva como reflexo de uma postura protecionista que busca pressionar parceiros por meio da ameaça de tarifas, dando cobertura técnica a decisões já inclinadas no plano político.
O governo trabalha com a hipótese de que o desfecho da investigação, inicialmente previsto para 15 de julho, possa ser antecipado, dependendo da evolução das conversas em curso. Apesar do endurecimento descrito pelos interlocutores, a orientação formal é privilegiar a via diplomática: evitar retórica inflamada enquanto equipes técnicas e diplomáticas tentam mostrar que as acusações não refletem a realidade da relação comercial entre os dois países.
Como alternativa, o Executivo diz que continuará a defender os interesses brasileiros em fóruns internacionais e estuda medidas de reciprocidade caso tarifas sejam efetivamente impostas. A leitura oficial é pragmática: buscar solução negociada sem descartar respostas que preservem comércio e interesses econômicos, diante do potencial custo político e econômico de sanções unilaterais.