Nas próximas horas o governo intensifica uma força‑tarefa nos gabinetes do Senado para tentar garantir a aprovação de Jorge Messias na disputa pela 11ª cadeira do Supremo Tribunal Federal. A operação busca transformar uma vantagem considerada estreita — o líder do governo, Jaques Wagner, fala em um piso de 44 votos — numa margem confortável que reduza o risco de surpresas no plenário.
A articulação envolve interlocuções diretas com senadores da oposição e dependentes de bancada. Wagner defendeu publicamente que o presidente do Senado deveria receber o indicado, ainda que fontes do gabinete de Davi Alcolumbre considerem pouco provável esse gesto — reflexo também de um atrito político, depois que a preferência do senador por outro nome foi preterida pelo Palácio do Planalto. Integrantes próximos ao presidente do Senado garantem que ele tende a não atrapalhar a votação, embora não ofereça apoio explícito.
No campo parlamentar, aliados do governo tentam consolidar adesões além do núcleo governista. O senador Weverton Rocha diz ver votos entre setores bolsonaristas e confirma a estimativa mínima de 44 favoráveis. A estratégia incluiu a pavimentação do caminho na Comissão de Constituição e Justiça — etapa em que o bloco emedebista realocou a vaga deixada por Sergio Moro para Renan Filho — e prepara Messias para uma sabatina potencialmente dura sobre posições da AGU, em especial pareceres que questionaram resolução do Conselho Federal de Medicina e suas restrições a procedimentos.
O quadro expõe fragilidade política: a necessidade de ampliar o placar mostra custo de capital político para o Planalto e pressiona a máquina de articulação. Para o governo, o desafio é não só garantir a vaga no STF, mas evitar que o processo reverbere como sinal de desgaste institucional e de capacidade limitada de costurar apoios no Congresso.