O governo federal decidiu, por ora, não aplicar de forma imediata a chamada Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos. Auxiliares presidenciais afirmam que a opção por adiar uma resposta em mesma proporção ao 'tarifaço' de Washington é um cálculo técnico e político: medidas de retaliação poderiam provocar efeitos colaterais sobre preços internos e pressionar a inflação, com custo direto para a economia brasileira.
Na avaliação da cúpula do Palácio do Planalto, o caminho preferencial é a negociação. Lula tem repetido a interlocutores que 'o melhor caminho é negociar' e escalado auxiliares para dialogar com representantes norte-americanos. Em entrevista à CNN Internacional, o presidente manteve a reciprocidade como possibilidade, mas deixou claro que a prioridade imediata é tentar uma saída diplomática para o impasse.
A estratégia aparece também no discurso do presidente na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU. O pronunciamento, focado na defesa da soberania e no multilateralismo, serve para sustentar a postura de busca pelo diálogo — sem citar nominalmente o governo dos EUA — e para tentar construir respaldo internacional antes de qualquer resposta comercial direta.
A decisão de postergar a retaliação reduz risco imediato à estabilidade econômica, mas encerra um dilema político. Manter a reciprocidade como carta na manga protege Brasília de custos econômicos hoje, mas pode abrir espaço para questionamentos sobre firmeza nas negociações caso a pressão externa persista. Se as tratativas não avançarem, a alternativa comercial continuará sendo uma opção, agora com potencial de gerar custos maiores e tensão diplomática.