O governo federal divulgou nota nesta terça-feira repudiando a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A Casa Civil e a Secretaria de Comunicação classificaram como falsas as justificativas apresentadas pelos norte-americanos, que disseram ter tomado a medida em razão da demora brasileira na concessão do agrément para o indicado dos EUA ao posto em Brasília.

Na resposta oficial, o Brasil acusou os EUA de antecipar a divulgação do nome do seu indicado, situação que, segundo o Planalto, contraria a prática prevista na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas — argumento central para rebater a versão norte-americana. O texto também lembrou que não existe prazo estabelecido pela convenção para a concessão do agrément e afirmou que o pedido segue em análise pelo Itamaraty.

A nota citou ainda a recusa de entrada a dois funcionários americanos, medida que, segundo Brasília, se deu diante da avaliação de que a presença deles poderia visar a questionar o sistema eleitoral brasileiro. O Palácio enfatizou que o episódio se soma a outras medidas recentes — incluindo sanções individuais sob a chamada Lei Magnitsky — e que tudo isso tem corroído o ambiente de parceria entre os países.

Politicamente, o episódio amplia a agenda de desconforto entre Brasil e EUA e complica o esforço de aproximação buscado pela Presidência após a visita de junho. A escalada expõe divergências ideológicas e institucionais e coloca o governo diante do dilema entre reagir com reciprocidade diplomática ou privilegiar a redução de tensões para preservar canais de cooperação. A evolução do caso dependerá agora da resposta de Washington e da capacidade do Itamaraty de transformar o impasse em uma saída negociada.