Um levantamento do Observatório das Big Techs, do NetLab da UFRJ, aponta que redes sociais seguiram veiculando propaganda político-eleitoral e recomendando conteúdos de candidatos no domingo do primeiro turno, em 4 de outubro — período no qual a norma do Tribunal Superior Eleitoral veda anúncios pagos e recomendações automatizadas.
O relatório identificou 568 anúncios irregulares nas plataformas da Meta e detectou seis peças que simulavam comunicações do TSE, prometendo uma suposta possibilidade de votar remotamente — informação falsa que, em alguns casos, direcionava usuários a sites que solicitavam o CPF. No Kwai, o estudo registrou 18 anúncios ativos no dia da votação e inconsistências sobre anúncios marcados como "em pausa" ou com datas estendidas.
Além disso, o NetLab encontrou 18 vídeos de sete candidatos recomendados pelo TikTok e 17 vídeos de seis candidatos recomendados pelo YouTube entre os dias 3 e 4 de outubro; no Instagram não foram observadas recomendações de vídeos de candidaturas. O monitoramento combinou buscas manuais e automáticas, consultas às bibliotecas de anúncios e extração por API.
O relatório ressalta que limitações e divergências nas próprias ferramentas das empresas — por exemplo, contradições entre a interface pública e dados obtidos via API na Meta e divergências nas exportações do Kwai — tornam mais difícil comprovar infrações e responsabilizar plataformas. Google, LinkedIn e TikTok também oferecem dados considerados insuficientes para acompanhamento sistemático.
A persistência de anúncios e recomendações fora do período permitido expõe risco prático de desinformação e de golpes eleitorais, além de aumentar a pressão sobre o TSE e as próprias empresas por fiscalização mais rigorosa e transparência. As plataformas foram procuradas e enviaram notas, mas as respostas oficiais não eliminam as inconsistências apontadas pelo NetLab.