A Polícia Militar de São Paulo informou nesta quinta-feira (13/8) que instaurou uma apuração preliminar para investigar a denúncia do candidato Fernando Haddad de que seu motorista teria sido alvo de uma abordagem fora do padrão. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a investigação já analisou imagens de cerca de 40 câmeras privadas e confirmou identificação e percurso das viaturas pelo sistema de geolocalização, sem encontrar indícios de intervenção policial ou interação com o candidato e sua equipe.

Haddad relatou que o incidente ocorreu na noite de terça-feira (11/8), após o motorista deixá‑lo em casa na zona sul de São Paulo, e que tomou conhecimento do episódio na quarta (12/8). O ex-ministro disse ter preservado a identidade do funcionário, que estaria abalado. Relatos e um vídeo obtido pela reportagem do Estadão mostram uma viatura passando segundos antes do carro do motorista estacionar; a versão do candidato é a de que o veículo policial teria emparelhado e passado a acompanhar o automóvel do funcionário.

A SSP ressaltou que a apuração prossegue e que, caso sejam identificados indícios de irregularidade, o procedimento poderá ser convertido em inquérito. Até o momento, porém, a corporação afirma não ter verificado comportamento incompatível das equipes nem atuação dirigida ao candidato ou sua equipe nos trechos verificados. A comunicação oficial dá prioridade à checagem técnica — imagens e dados de rastreamento — para dirimir divergências de narrativa.

Do ponto de vista político, o episódio instala um duplo risco: para Haddad, a necessidade de apresentar elementos que comprovem a versão relatada; para a gestão da segurança, o desafio de demonstrar transparência e robustez investigativa diante de uma acusação que, mesmo sem comprovação inicial, tem potencial de repercutir na agenda de campanha. A situação seguirá sob observação enquanto a SSP conclui as diligências técnicas e decide sobre eventual avanço para inquérito.