Interlocutores do Podemos afirmam que a legenda tende a optar pela neutralidade na disputa presidencial de 2026. A presidente do partido, Renata Abreu (Podemos-SP), convocou reunião para esta segunda-feira (3/8) que deve selar o posicionamento. A opção pelo afastamento de um apoio nacional já inviabilizaria formalmente uma aliança com o senador Flávio Bolsonaro, situação que repete cenário recente em que o PP vetou ida de Tereza Cristina para vice e anunciou neutralidade.
A escolha pela neutralidade decorre, segundo dirigentes, do peso das bancadas estaduais: a decisão tende a seguir o entendimento majoritário dos diretórios regionais. A vantagem prática é permitir acordos locais distintos — diretórios poderão costurar apoios conforme interesses estaduais —, mas o custo é claro no plano nacional: reduz-se a capacidade de formar palanques unificados e cresce a fragmentação das negociações entre partidos.
Politicamente, o movimento complica a estratégia de Flávio Bolsonaro, que buscava uma mulher para compor a vice e diminuir resistências em setores do eleitorado. Com o Podemos fora do radar, o caminho aponta para uma chapa pura do PL, com nomes como Julia Zanatta e Bia Kicis sendo ventilados internamente. O calendário aperta: decisão sobre apoio termina em 5 de agosto, enquanto os registros de candidatura no TSE vão até 15 de agosto, o que acelera a definição de alternativas.
O efeito vai além do PL: outros pré-candidatos também ensaiam chapas puras — entre eles Romeu Zema — e partidos como União Brasil, Progressistas e Republicanos vêm sinalizando neutralidade. O padrão revela uma preferência por barganhas locais em detrimento de costuras nacionais, aumentando a volatilidade da corrida e pressionando líderes como Renata Abreu a justificar uma decisão que privilegia crescimento partidário no curto prazo, ao custo de influência nacional.