O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (1º) da cerimônia que marcou o início das obras da ponte Salvador‑Itaparica, em Vera Cruz (BA). Integrada ao Novo PAC, a intervenção tem custo estimado em R$ 11,6 bilhões, divididos entre União, governo do estado e o consórcio privado responsável pela PPP. A previsão oficial aponta conclusão em 2031 para a travessia de 12,4 km sobre a Baía de Todos‑os‑Santos, com vão central de cerca de 400 metros e 85 metros de altura livre para navegação.
Autoridades destacaram o ganho logístico: a nova ligação rodoviária reduzirá em mais de 200 km o escoamento entre Salvador e o oeste do estado e deverá beneficiar cerca de 245 municípios. O consórcio estima fluxo inicial de 28 mil veículos por dia e prevê geração de mais de 7 mil empregos na fase de obras. A infraestrutura inclui acessos em Salvador (próximo a Água de Meninos), cabeceira na Gameleira em Itaparica e duplicações rodoviárias na área continental e na ilha.
Ao lado dos elogios ao projeto, o presidente e o governador Jerônimo Rodrigues avisaram sobre um efeito colateral imediato: a pressão imobiliária sobre a ilha. Ambos pediram cuidados para evitar ocupação desordenada e perda da qualidade de vida local. O alerta é político e prático: se a valorização fundiária não for acompanhada por regras de uso do solo, políticas de habitação e fiscalização, a obra pode transformar ganhos econômicos em conflito social e custos para moradores.
Há ainda dimensión política e institucional relevante. A PPP será tocada por um consórcio formado por empresas chinesas estatais, o que exige do governo federal transparência no contrato, vigilância sobre prazos e garantias de contrapartidas sociais. Para além dos 11,6 bilhões previstos, a liturgia de inaugurações e promessas precisa ser acompanhada de medidas concretas de gestão territorial. Caso contrário, o projeto que amplia a integração do estado pode também acender alertas e ampliar desgaste político para quem o promove.