A corrida por capacidade computacional virou tema comum nos programas dos principais presidenciáveis. O anúncio de um supercomputador em Macaíba (RN), feito pelo presidente e candidato à reeleição, e outra estrutura no Rio em parceria com empresas chinesas ilustram uma agenda compartilhada: atrair investimentos em data centers e ampliar a infraestrutura para inteligência artificial.
Além do petista, nomes com maior intenção de voto incorporam propostas para incentivar instalação e expansão desses centros. Ronaldo Caiado, por exemplo, propõe estímulos tributários condicionados a exigências ambientais e tecnológicas, com ênfase em energias renováveis, eficiência hídrica, qualificação profissional e reserva de capacidade para universidades e centros de pesquisa. Outros candidatos apresentam variações sobre papel do Estado, atração de empresas estrangeiras e contrapartidas locais.
Especialistas alertam que ampliar data centers pode reforçar capacidade técnica do país, mas não se confunde com 'soberania digital'. O material-base das propostas, em muitos casos, não detalha que tipo de instalações se pretende atrair nem quais benefícios concretos ficarão no Brasil. Faltam respostas claras sobre quem arcará com os custos de energia, água e adaptação da infraestrutura elétrica — itens que pesam no custo operacional desses parques.
Politicamente, o consenso aparente reduz campo de diferença entre candidaturas, mas amplia o risco de desgaste: prometer capacidade computacional sem explicar financiamento, exigências ambientais e regras de participação estrangeira vira alvo fácil de críticas e questionamentos fiscais. Para virar política pública viável, a proposta precisa sair do slogan e apresentar custos, modelos de regulação e garantias de transferência tecnológica — caso contrário, corre o risco de ser cobrada na campanha e, depois, no orçamento.