A possível vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Divinópolis no dia 19 de junho — ainda não confirmada pelo Palácio do Planalto — acendeu uma disputa que vai além da clássica tensão entre governo e oposição: abriu um racha público na própria família Azevedo. A agenda, centrada na inauguração do Hospital Regional de Divinópolis (HRD), virou campo de disputa sobre a autoria da obra e sobre o caráter político do ato.

Na tribuna do Senado, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) adotou tom receptivo e afirmou que o presidente será bem recebido. Cleitinho destacou a articulação que culminou na conclusão do hospital e agradeceu o apoio do senador Camilo Santana (PT-CE) para destravar as obras, ressaltando que a unidade é, em suas palavras, um recurso público a serviço da população, não de partidos.

A resposta veio do irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), que nas redes sociais afirmou não acolher a presença do presidente e acusou Lula de instrumentalizar politicamente a entrega. Eduardo endossou a narrativa de que a obra foi tocada e concluída pelo governo de Minas e chegou a compartilhar posição do ex-governador Romeu Zema. O ex-prefeito Gleidson Azevedo, também do clã, optou por um posicionamento mais neutro e disse que, se convidado, pretende comparecer.

O episódio tem implicações práticas para o pré-candidato ao governo Cleitinho. A divisão pública entre irmãos fragiliza uma imagem de unidade local e oferece munição política a adversários que procuram transformar a inauguração numa disputa de crédito entre esferas de governo. Para o Planalto, a visita tem potencial de dar visibilidade nacional à entrega, mas também de politizar um empreendimento sensível localmente — razão pela qual a resposta oficial do Palácio sobre a data e a participação do presidente passa a ter custo político. Até que haja confirmação, o evento permanece como retrato de um momento tenso na política mineira, com reflexos possíveis na mobilização eleitoral.