A ofensiva da Polícia Federal que colocou o senador Ciro Nogueira no epicentro da quinta fase da Operação Compliance Zero provocou uma crise política imediata no Progressistas e tensionou a federação União Progressista, formada com o União Brasil. Mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça ampliaram apurações sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político relacionadas a supostos benefícios ao banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
Sob pressão nos bastidores — inclusive com cogitações sobre uma eventual licença da direção partidária — a bancada do PP na Câmara optou por fechar fileiras em defesa do senador. O líder da bancada, Dr. Luizinho, afirmou que o grupo dará apoio público ao comando do partido, numa tentativa de segurar a imagem interna e manter a unidade diante da crise. Ao mesmo tempo, aliados ouvidos reservadamente reconhecem apreensão: novas fases da investigação ou delações poderiam elevar a pressão sobre a cúpula.
Do outro lado da federação, o União Brasil manteve reação tímida e preferiu não se manifestar formalmente, segundo apurou a reportagem. Parlamentares do bloco alertam que o episódio pode contaminar costuras eleitorais estaduais e atrapalhar negociações estratégicas em âmbito nacional — justamente quando a centro‑direita tenta construir um discurso de estabilidade para 2026. No Congresso, integrantes de diferentes bancadas admitem preocupação com o potencial de alargamento político da operação.
A crise expõe um dilema político claro: a defesa pública do líder pode preservar coesão imediata, mas também aumenta o custo político da federação se as investigações prosperarem. As próximas semanas serão decisivas para medir se a União Progressista conseguirá transformar a resposta institucional em controle de danos ou se terá de enfrentar desgaste mais amplo, com impacto em alianças e na capacidade de viabilizar acordos eleitorais.