O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou neste domingo que a Casa tem prioridade em aprovar até o fim de maio as propostas que tratam do fim da escala de trabalho 6x1. A declaração foi dada a jornalistas após participar de uma corrida relacionada aos 200 anos do Parlamento.
Na Câmara tramitam duas propostas: a PEC de iniciativa do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e um Projeto de Lei enviado pelo Executivo. Motta disse buscar “um texto de convergência” e ressaltou que a pauta não é de um partido ou governo, citando a importância do tema para a maioria da população — segundo ele, prioridade para mais de 60% dos brasileiros.
Apesar do acerto para que os dois textos avancem de forma casada, a votação ainda enfrenta pontos sensíveis. Setores empresariais pleiteiam prazos longos de transição para adaptação, enquanto o governo pressiona por medidas mais imediatas. Outra divisão é a possibilidade de conceder compensação tributária às empresas, hipótese que amplia o custo político e fiscal da proposta.
O anúncio de Motta fixa um prazo político que testa a capacidade de articulação da presidência da Câmara. Entregar um texto convergente até o fim do mês exige conciliar pressões opostas — atender ao apelo social por melhores condições de trabalho sem impor custos excessivos ao setor privado ou ao orçamento. O modo como a Casa resolverá a transição e a eventual compensação terá consequências diretas na relação entre Legislativo, Executivo e mercado.