A coordenação jurídica da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma representação contra a pesquisa divulgada pelo Atlas/Bloomberg. O pedido requer a suspensão imediata da divulgação do levantamento e a investigação de possível prática de crime eleitoral, alegando comprometimento da integridade técnica do estudo.

Segundo a peça protocolada no TSE, o questionário teria sido estruturado de maneira a favorecer uma leitura negativa sobre o parlamentar. A defesa aponta que a sequência de perguntas, a forma de exposição dos temas e as associações feitas entre o senador, Daniel Vorcaro e o Banco Master teriam contaminado as respostas, motivo pelo qual pleiteia medida liminar para impedir a circulação dos dados.

O levantamento, divulgado após o vazamento de áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro, mostra que 51,7% dos entrevistados entendem que as conversas trazem indícios de participação do senador no caso ligado ao Banco Master. Outros dados: 54,9% veem o vazamento como evidência legítima para investigação; 33% consideram haver perseguição política; e 45,1% dizem que o episódio enfraqueceu muito uma eventual candidatura. Em cenários simulados, Lula lidera com 47% no primeiro turno contra 34,3% de Flávio, e venceria o segundo turno por 48,9% a 41,8%. A pesquisa ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio, por recrutamento digital aleatório, margem de erro de um ponto percentual, e está registrada no TSE sob BR-06939/2026.

Politicamente, a representação procura neutralizar o potencial efeito do levantamento sobre a pré-campanha ao caracterizar a pesquisa como instrumento com viés. O episódio acende alerta sobre a forma como sondagens podem repercutir em ciclos de crise política: se o TSE aceitar a liminar, haverá suspensão de divulgação e questionamento sobre práticas de institutos; se rejeitar, os números podem se consolidar como referência de desgaste. O tribunal terá agora papel central para definir limites entre técnica, transparência e impacto eleitoral.