Na tarde de quarta-feira (22/4), uma dupla de pré-candidatos identificada com a direita foi retirada da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da UFMG após ser confrontada por estudantes. Douglas Garcia e Marília Amaral gravavam vídeos e exibiam um cartaz com a imagem do ex-presidente quando um grupo rejeitou a provocação — entre os gritos ouvidos no local, o coro "Recua, fascista" interrompeu a ação.

Garcia, influenciador com forte presença nas redes e filiado ao União Brasil, já esteve no centro de conflito similar na USP em janeiro; Marília Amaral, ligada ao PL e a lideranças locais, vinha repetindo o formato de visita provocativa que usou na UFLA. Segundo o diretório acadêmico da Fafich, vídeos publicados nas redes mostram confronto e alegações de uso de gás de pimenta; os pré-candidatos negam agressão e dizem ter sofrido violência, relatando ferimentos.

Seguranças da universidade intervieram e pediram que a dupla deixasse o campus. A assessoria dos pré-candidatos classificou o episódio como atentado contra liberdade de expressão e disse que a ação ocorreu em via pública, justificando a presença sem aviso prévio. A versão dos estudantes e do diretório aponta para um padrão de provocações que escalou para confronto físico e impediu qualquer debate no local.

Além do incidente imediato, o episódio tem implicações políticas: acende alerta sobre a tensão nas universidades como palco de disputa ideológica e complica a narrativa de quem se apresenta como vítima ao mesmo tempo em que busca provocar. Para a campanha bolsonarista em Minas, o desgaste pode reforçar críticas sobre estratégia agressiva e criar pressão sobre reitorias para regras mais claras de convivência e segurança nos espaços acadêmicos.