A prefeita de Frei Gaspar, no Vale do Mucuri, Jackeliny Nascimento (PT), provocou reação nas redes ao publicar um post em que declara apoio a uma lista mista de candidatos: nomeou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata ao Senado Marília Campos, mas também elencou o governador em disputa Cleitinho (Republicanos) e o candidato ao Senado Marcelo Aro (PP). Entre os deputados citados aparecem Euclydes Pettersen e Neilando Pimenta, ambos do Republicanos.
A postagem, apresentada pela prefeita como o "time do povo", não citou o candidato do PT ao governo, Patrus Ananias, nem nomes da aliança petista em Minas. A reação nas redes foi dividida: houve ironia e críticas sobre a mistura de siglas, mas também elogios que enalteceram a postura pragmática da gestora municipal. A presidente do PT em Minas, Leninha, chegou a comentar — depois apagado — que parte da composição não corresponde ao grupo do presidente Lula no estado.
O episódio revela um ponto de tensão entre disciplina partidária e articulações locais: prefeitos frequentemente calibram apoios conforme redes de influência e demandas municipais, mas escolher figuras da oposição em público expõe a fragilidade da coordenação estadual do PT. Para a direção do partido, atos desse tipo complicam a mensagem unificada e podem ser usados por adversários para sinalizar desorganização interna.
Na prática, o caso tende a ser localizado — é um recado sobre como política municipal e eleitoral estadual se cruzam —, mas tem custo político: pressiona lideranças a responderem e abre espaço para desgaste na imagem de unidade do PT em Minas. A postura de Jackeliny será observada nas próximas semanas como indicador da capacidade do partido de administrar dissidências no interior.